“Transbordante de entusiasmo e juventude, a banda paulistana Bazar Pamplona se entrega a suaves provocações no CD de estréia, À Espera das Nuvens Carregadas (Monga Records/Tratore). A primeira cutucada aparece na contracapa, que lista apenas três faixas (ou melhor, “quase-canções”). As outras, “bônus”, nada menos que 15, são descritas como “canções-pílulas”. Pode parecer bobeira, mas há perguntas subjacentes à contracapa. Na era dos downloads, quem se interessa por um CD com 18 músicas? Por que alguém ainda consumiria esse treco? O conteúdo, entre rock e MPB, balada e pauleira, dá continuidade à rota de provocações, agora na forma de angústia. Uma idéia recorrente atravessa o CD, em versos como eu sou surdo e canto, eu faço tudo pra alguém me escutar, ou ninguém ouviu falar de mim… A vontade é de se comunicar, mas o tema central é a incomunicabilidade, hoje inerente à música brasileira e, mais ainda, à indústria musical. Provocação a mais surge em “O Rei Não Sabe Brincar”, que remete a Roberto Carlos e a um punhado de outros “reis”, quando canta um rei ranzinza que logo manda enforcar.”
- Pedro Alexandre Sanches, Carta Capital

“Rock cabeça pode ser simpático ouseria tal feito impossível? Não é impossível, nos responde essa curiosa banda chamada Bazar Pamplona. Canta suas bizarrices em português e parece saído diretamente dos anos 60, com timbres sobrepostos, guitarras precisas e gaitas cuidadosas. Muitas referências perceptíveis: Mutantes, Beatles, Tropicalismo, Pink Floyd e Syd Barrett. Só é preciso algum cuidado, talvez, para que a cabeça não acabe pesando demais no corpo.”
- Ivan Finotti, Folha de S.Paulo

“Em meio a capas de chuva, balões de festa, mãozinhas de brinquedo e auto-réplicas de papelão, (…) a banda faz apresentações performáticas que desafiam o bê-á-bá low profile dos grupos indies com pinta de entediados. (…) Sentado nos ombros de seus mestres, Estevão pinça em jornais, livros, filmes, ou em frases soltas de quem quer que seja, a matéria-prima de suas rimas espirituosas. Principal compositor da banda, ele cria versos de um surrealismo brincalhão, povoados por dias cor-de-laranja, dilúvios colossais e temporadas de gripe. Tudo muito pop, onírico e bem-humorado.”
- Jornal A Tarde

“Músicas que buscam liberdade, tanto nas letras como na construção harmônica. E não é difícil imergir completamente no fantástico (e às vezes absurdo) mundo do Bazar Pamplona. Não são letras usuais mas passam a fazer completo sentido dentro do Universo proposto. Quando você menos percebe, está cantando de pulmão aberto “Eu fui apagar o sol / me disseram que no escuro é melhor viver / eu fui a copacabana de samba-canção / me disseram que era um traje social”, de “Afogou-se em Sugestões” ou “E se eu soluçar / então não tem solução / eu me consolo numa esquina da Consolação”, do hit “Agora Eu Sou Vilão”.”
- Gabriel Gurman, Revista O Grito!

“A voz pode até arranhar, mas é difícil ficar indiferente às letras de Estevão Bertoni. Insights renovadores, trocadilhos sagazes e rimas nonsense se enfileiram verso a verso sem deixar cair a atenção de quem os escuta. Inteligente sem cabecismos e divertido sem chover no molhado, À Espera de Nuvens Carregadas é um sopro de novidade. Mesmo com duração média de dois minutos e meio, as canções percorrem caminhos tortuosos. A seqüência também é errática: balanço freak (“Afogado em sugestões”), vaudeville (“Eu era o rei”) e alt-country (“Só pra te ver um pouco”) se assomam a ótimas melodias beatlescas. À espera… é produto de quem destrinchou a discografia tropicalista. Mas é do outro lado do oceano, plugados nas quatro franjas de Liverpool, que Estevão e sua turma encontram a principal fonte de idéias musicais. Entre o pop original e o desbunde lisérgico, o Bazar já tem o o seu Revolver.”
- Rodrigo Sombra

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